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2006-06-20      Por um trabalho agrícola seguro. O uso de espelhos no trabalho com tractores
      
No passado mês de Março ocorreram dois acidentes mortais com tractores noticiados apenas pela Imprensa regional. Num deles a vítima foi uma mulher ainda jovem que trabalhava nos socalcos do Douro com um tractor, cuja barra de segurança estranhamente lhe atingiu o pescoço quando a máquina capotou.

Os tractores continuam a ser um equipamento de trabalho que requer várias condições de segurança.

Com a implementação das estruturas de segurança - pórticos, quadros e cabinas – que a nossa legislação obriga para todos os tractores matriculados depois de Janeiro de 19941, torna-se pertinente abordar as vantagens que o uso de espelhos retrovisores têm, ao melhorar as posturas e visibilidade dos operadores de máquinas e equipamentos agrícolas, sem dificultar a velocidade e qualidade do trabalho.

Estes espelhos, que normalmente já se encontram no mercado, podem vir a ser colocados ou adaptados aos tractores. De notar, porém, que esta adaptação nunca se fará perfurando a estrutura de segurança, pois essa perfuração iria diminuir a eficácia dessas mesmas estruturas.

A forma destes espelhos não é importante, embora os rectangulares resultem em melhores condições de visibilidade, pelo que devem ter medidas que rondem os 20 x 30 cm e podendo ser convexos ou planos. Para os primeiros, cuja vantagem é a de abrir o ângulo de visão do trabalho a realizar, têm a desvantagem de provocar alguma distorção e redução da imagem. Para operações que requerem exactidão nos detalhes do terreno, da cultura ou das funções do equipamento, os espelhos planos são os mais indicados.

Normalmente a qualidade do trabalho melhora com o uso de espelhos retrovisores, embora, no início, alguns parâmetros de qualidade sejam negativos; estes vão melhorando rapidamente com a experiência e a habituação.

Da sua experimentação resultou que a totalidade do trabalho a executar, a acção de virar para trás é reduzida, com o uso de espelhos, de 67% para 4%. Estas reduções são bastante significativas e importantes para a saúde e bem-estar dos operadores de tractores, que normalmente realizam o mesmo trabalho sem espelhos, torcendo as costas num ângulo de 40-50º e o pescoço de 50-70º. Há que contar, também, que as vibrações transmitidas pelos tractores e a irregularidade do terreno tornam o trabalho mais penoso, aumentando os riscos de lesões na coluna vertebral.

Recomendações finais:

1. As dimensões dos espelhos devem ter, pelo menos, 20x30 centímetros;
2. A forma deve ser, de preferência, rectangular;
3. O espelho convexo dá maior campo de visão, mas também alguma distorção. A convexidade deve ter um raio, pelo menos, de 1 metro;
4. A distância do espelho aos olhos do condutor não deve ser menor que 35 centímetros e não deve exceder 90 centímetros, de modo a manter um ângulo de visão suficientemente largo;
5. Os espelhos devem ser bem fixos e firmes à estrutura do tractor, mas permitindo um fácil ajustamento da sua posição, sem o uso de ferramentas. Nunca perfurar a estrutura para os fixar;
6. Os espelhos retrovisores laterais devem ser fáceis de retirar quando não estão em uso;
7. Os espelhos devem dar uma panorâmica suficientemente fácil e clara do equipamento rebocado pelo tractor;
8. Os espelhos retrovisores não devem ser colocados nas portas ou onde não possam ser ajustados pelo operador e onde o fechar da porta possa causar prejuízo ou alterar a posição dos mesmos;
9. Os tractores devem ter facilidades para a colocação de espelhos retrovisores em ambos os lados de fora e dentro das estruturas de segurança
10. O desenho e posição dos espelhos retrovisores não devem estar em desacordo com os regulamentos de segurança rodoviário.


Autor: José Azevedo. Técnico do Instituto para a Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho   Fonte: 
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2006-06-18      Mau tempo estraga colheitas, Ministro diz "Agricultores têm de fazer seguros"
      
Numa visita à região do Douro para avaliar os estragos provocados pelo mau tempo dos últimos dias, o ministro da Agricultura salientou a necessidade dos agricultores efectuarem seguros das colheitas, porque "o Estado não pode resolver tudo".
"O Estado não pode à primeira calamidade, vir dizer que vai resolver tudo dando fundos, porque isso é um desincentivo àquilo que deve ser o normal: todos os agricultores fazerem seguros", afirmou Jaime Silva indicando que "por ano são gastos 20 milhões de euros", em apoios para contratar seguros, "uma medida que só existe neste actividade económica".

"Sei que há pequenos agricultores, principalmente na zona do Pinhão que não têm seguros". Vamos ver e analisar qual é a extensão dos prejuízos e depois anunciaremos o que podemos fazer para apoiar", concluiu, esclarecendo que o subsídio não será uma regra mas uma excepção para os casos mais dramáticos.

Para já desconhece-se a extensão e montante exacto dos prejuízos na região, fortemente afectada pelas chuvas intensas e queda de granizo. No entanto, dados preliminares apontam para uma área de 1700 hectares atingidos em zona de vinha e de produção de vinho do Porto, nos concelhos de Saõ João da Pesqueira, Alijó, Sabrosa e Tabuaço, distritos de Vila Real e Viseu.


Autor:    Fonte: cm online
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2006-06-05      Investimentos e emprego em Odemira
      
Mais de oito mil postos de trabalho poderão ser criados no concelho de Odemira até 2013 com a expansão das áreas de cultivo de morangos, framboesas e legumes.

a Lusomorango (Organização de Produtores de Pequenos Frutos), que agrupa empresas de capitais americanos do grupo Driscol como a BerryPort, LusoBerries, LusoFarms, e as empresas portuguesas Sérgio Nicolau e Casa Prudêncio – esta sediada no Ribatejo –, pretende passar dos 90 hectares de cultivo na região de Odemira para mais de 400 até 2013 para corresponder às exigências do mercado. Nesse ano, segundo Gonçalo Andrade, da Lusomorango, deverão estar a trabalhar para esta organização mais cinco mil pessoas.

Mas estes números poderão não ficar por aqui. É que no concelho de Odemira existe um total de 13 empresas ligadas à hortofrutícola e meia dúzia de produção de flores que geram um volume de negócios superior a 100 milhões de euros. Muitas destas empresas vão também apostar no aumento de produção e terão que recrutar mais mão-de-obra. Actualmente a produção total nesta região estende-se por 1500 hectares, mas poderá duplicar nos próximos anos. Empresas como a Wellpict, a Iberian Salads ou a conhecida Camposol, produtora da famosa relva presente em alguns dos mais importantes estádios europeus como o do Real Madrid, pretendem também alargar a sua produção.

IMIGRAÇÃO

Considerada uma das maiores zonas produtoras de hortofrutícolas da Europa, Odemira já cultiva um pouco de tudo. Além dos morangos e das framboesas, a terra dá também batata primor, cenouras, couve chinesa, entre outros legumes. No pico de produção, as empresas empregam quase 2500 pessoas, a maioria das quais provenientes dos países de Leste, uma vez que este concelho do Litoral Alentejano conta apenas com 25 mil habitantes.

A Lusomorango, tal como explicou Gonçalo Andrade, emprega cerca de 500 pessoas.

“Precisamos de muita gente e os imigrantes desempenham bem este trabalho”, referiu este responsável da organização de agricultores que conta com uma produção anual de 2500 toneladas de morangos e 600 toneladas de framboesas.

“Sessenta e cinco por cento dos morangos são exportados para países do Norte da Europa. As framboesas são exportadas em 93 por cento”, frisou Gonçalo Andrade.

Com um volume de negócios anual na ordem dos 7,5 milhões de euros, a Lusomorango, tal como anunciado, quer quadruplicar a sua área de cultivo para permitir atingir em 2013 as 10 mil toneladas, entre morangos e framboesas.

"A BOLA ESTÁ DO LADO DOS INVESTIDORES"

O presidente da Câmara de Odemira, António Camilo, continua a aguardar pelo parecer das entidades governamentais sobre os estudos de impacte ambiental dos dois projectos turísticos para o concelho, avaliados em quase 900 milhões de euros. “A bola está do lado dos investidores e do Governo. Os projectos, todos de um e dois pisos, estão aprovados no PDM e acredito que poderão estar concluídos em 2010”, frisou.

Situada perto de Milfontes, a unidade da Vila Formosa terá 1600 camas e um campo de golfe de 18 buracos, num investimento de 500 milhões de euros. O segundo projecto, Montinho da Ribeira/Algoceira, custará cerca de 400 milhões e terá também campo de golfe e 1200 camas. “Vão criar três mil postos de trabalho, mil dos quais indirectos”, acrescentou António Camilo. Atrasado está ainda o projecto dos Aivados, chumbado pelo último Governo de Cavaco Silva. “Os promotores vão ter que reformular o projecto e reduzir das quatro mil para as duas mil camas”, disse o autarca.

FLORES DE VASCO LOURENÇO

A região de Odemira e o seu óptimo clima é também procurada pelas principais empresas ligadas à produção de flores. Uma das empresas, a Europrotea, tal como o nome indica, investiu em criação de proteas, flor oriunda da África do Sul, e em outras 24 espécies, algumas das quais raras.

“As proteas aguentam o clima temperado do Litoral Alentejano. Mas para o Interior já não se dão por causa das geadas ou do calor”, explicou ao nosso jornal Mário Oliveira, agrónomo e responsável pela produção agrícola da empresa, propriedade do Grupo Oceanis Turismo e Agricultura, gerido por militares de Abril, entre os quais o tenente-coronel Vasco Lourenço.

A produção da Europrotea foi iniciada em finais da década de 90 numa vasta área entre a localidade de Zambujeira do Mar e o cabo Sardão. Dos 80 hectares da herdade, 20 estão preenchidos com flores, seis com cultivo de batata doce, 1,5 com agricultura biológica e cinco com floresta. Dois hectares estão reservados para investigação. No pico de produção, a sociedade agrícola dá emprego a cerca de 25 pessoas.

“Temos 18 funcionários em permanência e no pico contratamos mais sete ou oito pessoas. Neste momento estamos na fase final de colheita”, frisou o mesmo responsável.

Segundo Mário Oliveira, as flores produzidas nesta propriedade são exportadas para países como a Holanda, França e Inglaterra.

“Todas as semanas sai um camião da herdade com flores. Quarenta por cento da produção fica em Portugal”, acrescentou.

Além da Europrotea, no concelho de Odemira existem ainda duas empresas estrangeiras de produção de flores e uma portuguesa junto ao cabo Sardão, propriedade de Maria Leonor da Fonte. A Camposol, situada junto a Almograve e gerida por Peter Knight, um inglês de 45 anos radicado na região há mais de duas décadas, dedica-se ao cultivo de relva tendo já instalado ‘tapetes verdes’ em muitos estádios de futebol na Europa como o do Real Madrid, Valência ou Ajax.

BORREGOS E VACAS

A produção de gado assume também um papel importante na economia da região de Odemira. Segundo António Camilo, presidente da autarquia, estima-se um efectivo de 12 mil vacas de prado no concelho e cerca de 30 mil borregos.

Face a estes números, a edilidade decidiu avançar em conjunto com os produtores e instituições bancárias da região com um projecto para a construção de um matadouro em Vale de Santiago.

“Comprámos uma herdade de 15 hectares para a instalação do matadouro. O projecto está aprovado e deverá iniciar-se com a construção ainda este ano”, adiantou o edil.

António Camilo sublinhou ainda que esta infra-estrutura ficará com capacidade técnica para meia centena de abates diários.

“Tudo aponta para que se inicie a laboração no Verão de 2007”, acrescentou.


Autor: Alexandre M. Silva, Évora   Fonte: CM - Online
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2006-06-05      50 milhões de euros para a Agricultura
      
O Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas anunciou este sábado, em comunicado, que as verbas destinadas à agricultura familiar (86 por cento dos agricultores) serão reforçadas em 50 milhões de euros por ano no período 2007/2013.
O anúncio surge no dia em que mais de 10 mil agricultores são esperados em Lisboa, para participar na ‘Grande Marcha pelo Mundo Rural’, organizada pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP). Em comunicado, o Ministério da Agricultura diz que as perspectivas financeiras 2007/2013, aprovadas em Dezembro passado pelos chefes de governo da União Europeia, se traduziram num apoio para o desenvolvimento rural português de próximo de 500 milhões de euros por ano, durante sete anos.

O ministério garante que as verbas libertadas, de 50 milhões de euros, serão afectadas ao reforço da competitividade, ambiente e diversificação, eixos da nova política de apoio ao mundo rural.

A tutela adianta ainda que os cenários de aplicação desta política serão oportunamente apresentados aos representantes dos agricultores, antes da tomada de decisão e sua negociação com as instâncias comunitárias.

GRANDE MARCHA HOJE À TARDE

Entretanto, a ‘Grande Marcha do Mundo Rural’, prevista para hoje à tarde em Lisboa, deverá juntar agricultores e os seus animais, desde vacas a ovelhas e burros, bem como ranchos folclóricos e tractores.

Segundo a organização, a marcha não segue o ambiente das acções de protesto que têm reunido manifestantes em vários pontos do país contra medidas do ministro da Agricultura.

O objectivo dos participantes, de todo o país, é “transmitir um conjunto de valores e preocupações do campo” para os habitantes da cidade ficarem a conhecer modos de actividade e de vida e formas de produção de coisas fundamentais para todos como são os alimentos.

CAP DIZ QUE DINHEIRO VAI SER DEVOLVIDO A BRUXELAS

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), João Machado, já reagiu ao anúnciou do Ministério da Agricultura e afirmou que o reforço de 50 milhões de euros para medidas de desenvolvimento rural é "para devolver a Bruxelas".

O presidente da CAP, que participou hoje na Marcha do Mundo Rural, organizado por aquela organização de agricultores, do Marquês de Pombal até ao Terreiro do Paço, em Lisboa, considerou que o anúncio do reforço de verbas para o desenvolvimento rural é "uma manobra" do Ministério da Agricultura para "tirar importância ao movimento dos agricultores".

Para João Machado, os 50 milhões de euros resultantes da modulação (corte até 20 por cento nas ajudas directas) são dinheiro dos agricultores e das políticas agrícolas que o Governo vai devolver a Bruxelas.

Machado sublinhou que aquela afirmação não é futurologia, mas corresponde à experiência, porque no ano passado a modulação deu 23 milhões de euros e "foram devolvidos 26 milhões de euros a Bruxelas". "O ministro está a tirar dinheiro aos agricultores portugueses para mandar para Bruxelas", sublinhou.


Autor:    Fonte: CM - Online
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