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2006-06-05      Agricultores invadem Lisboa
      
O mundo rural desfilou ontem pelas ruas de Lisboa numa manifestação cujo objectivo era chamar a atenção dos lisboetas para os problemas dos agricultores. O ministro da Agricultura, Jaime Silva, aproveitou o dia para anunciar um reforço em 50 milhões de euros nos apoios à agricultura familiar – 86 por cento dos agricultores portugueses. A Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP) acusa o governante de estar a “tirar dinheiro” aos homens da terra e garante que esse montante é para devolver a Bruxelas.“Não é ajuda, é uma mentira do ministro e mais um dos seus malabarismos com as palavras”, declarou ao CM João Machado, presidente da CAP, adiantando que “até agora tudo o que o ministro tirou aos agricultores não devolveu”.

Para João Machado, os 50 milhões de euros resultam de uma redução de até 20 por cento nas ajudas directas – a chamada modulação – que terá de ser devolvido a Bruxelas. O dirigente da CAP apontou como exemplo o ano passado, quando a modulação deu 23 milhões de euros e “foram devolvidos 26 milhões de euros a Bruxelas”.

João Machado lembrou o facto do ministro não ter pago as ajudas concedidas no âmbito das medidas agro-ambientais e frisou que Jaime Silva “está a tirar dinheiro aos agricultores”.

Por seu lado, o Ministério da Agricultura esclareceu que os 50 milhões de euros se inserem nas Perspectivas Financeiras da União Europeia para 2007-2013, que se traduzem num apoio ao desenvolvimento rural da ordem dos 500 milhões de euros ao longo dos próximos sete anos.

A Grande Marcha do Mundo Rural, organizada pela CAP, fez desfilar pela Avenida da Liberdade até à Praça do Comércio, em Lisboa, perto de 18 mil agricultores acompanhados por Pauliteiros de Miranda, ranchos folclóricos, grupos de bombos do Minho, campinos, vacas, burros, carros de bois e vacas, além das máquinas agrícolas.

REACÇÕES

PSD ACUSA

O vice-presidente do PSD e ex-ministro da Agricultura, Arlindo Cunha, acusou o actual titular da pasta, Jaime Silva, de “violar compromissos assumidos pelo Estado” ao cortar os apoios às medidas agro-ambientais e à electricidade verde. “Foi criada uma expectativa que tem de ser satisfeita”, frisou.

CDS APOIA

A Grande Marcha do Mundo Rural contou com o apoio e a participação do líder do CDS-PP, Ribeiro e Castro, que fez questão de estar na primeira linha do desfile.

PROTESTO

O desfile de ontem pôs fim a vários meses de protesto dos agricultores, por todo o País, contra o ministro Jaime Silva devido à suspensão do pagamento de subsídios às medidas agro-ambientais e à electricidade verde.


Autor: Sandra Rodrigues dos Santos com Lusa   Fonte: CM - Online
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2006-05-30      Reformas no vinho
      
O Ministério da Agricultura refere que Portugal está a desenvolver a sua própria reforma do sector vinícola e recusa-se a comentar as notícias ontem divulgadas que davam como certa a destruição de 400 mil hectares de vinha e a proibição de novas plantações, numa iniciativa da Comissão Europeia.Fonte oficial disse ao Correio da Manhã que desde o Verão de 2005 o Ministério tem reunido com figuras ligadas ao sector para discutir o tema.

A mesma fonte não adiantou quais os objectivos da reforma que o Ministério está a preparar, referindo que serão divulgados oportunamente.


Autor: C.O.S   Fonte: CM - Online
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2006-05-30      Milhões em fruta e saladas
      
O ramo horto-frutícola está a mostrar-se como um dos principais vectores da economia do Sudoeste alentejano. Só no concelho de Odemira cerca de 13 empresas geram um volume de negócios anual na ordem dos 100 milhões de euros, sendo 75% da produção destinada à exportação, cultivando em ‘apenas’ 1500 hectares.
Com investimento repartido entre portugueses e estrangeiros, são os americanos que com capitais provenientes da Briscol e da Wellpinkt vão assegurando a maior fatia da produção de frutos silvestres como morangos e framboesas. Na região são também produzidas em larga escala legumes como agriões, batata primor, couve chinesa e cenoura. Fetos ornamentais e a já famosa relva da Camposol que está presente em alguns dos mais importantes estádios europeus, são as outras bandeiras da agricultura local. Estas culturas empregam no pico de produção cerca de dois mil trabalhadores.

Segundo António Camilo, presidente da Câmara de Odemira, este ‘boom’ horto-frutícola tem uma “importância vital” na região.

O autarca afasta um cenário parecido com o que ocorreu em 1988 quando Thierry Roussel, empresário francês, comprou no Brejão, a Sul de Odemira, 550 hectares para produção hortícola destinada ao mercado europeu. O projecto acabou alguns anos depois com milhões em dívida aos fornecedores.

“Estas empresas estão certificadas, e com excelentes resultados. Não tememos tal situação”, disse.


Autor: Pedro Galego, Évora   Fonte: CM - Online
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2006-05-22      Governo Permite Transgénicos
      
O Instituto de Conservação da Natureza (ICN) proibiu o director do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) de assinar, juntamente com as câmaras de Amares, Vila Verde, Terras de Bouro e Póvoa de Lanhoso, um documento que declarava o Alto Cávado como “área privilegiada de agricultura biológica e zona livre de transgénicos”.
Poucos minutos antes de assinar a declaração, o director do PNPG, Luís Macedo, disse aos autarcas que o ICN lhe tinha comunicado que o Estado português tem “compromissos” que “não lhe permitem” subscrever o documento.

Perante esta retirada à última da hora e, sobretudo, perante os argumentos invocados, os autarcas ficaram “muito preocupados” e com a “convicção” de que “os transgénicos vão chegar em breve a Portugal”. Receiam também “que nem as áreas protegidas vão estar livres dessas culturas”.

O presidente da Câmara de Terras de Bouro, António Afonso, disse que “o ICN perdeu uma boa oportunidade de dar o exemplo no combate aos organismos geneticamente modificados e deixa a entender que os defende”.


Autor: Secundino Cunha, Braga   Fonte: CM - Online
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