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2005-08-18      Coelhos ameaçam saúde pública - Doença perigosa detectada em Portugal
      
Uma doença grave que tem afectado coelhos e lebres e que pode transmitir-se ao Homem foi detectada em Portugal. A bactéria causadora da doença é tão perigosa que foi incluída na lista de possíveis agentes do bioterrorismo. As autoridades portugueses dizem que desconhecem o caso.
O alerta foi lançado por Eduardo Biscaia, secretário-geral da Federação Nacional de Caçadores e Proprietários (FNCP).

“A situação actual é preocupante”, considera o responsável, revelando que já foram encontrados no País numerosos coelhos e lebres com “bolas gelatinosas semelhantes a bagos de uva no fígado e baço”, sinais característicos da tularemia, a doença causada pela bactéria Francisella tularensis.

“Há imensos relatos de coelhos e lebres encontrados nestas condições, em todo o Alentejo e em todas as zonas raianas”, revelou ao CM. Este ano, no Baixo Alentejo, algumas coutadas proibiram preventivamente a caça ao coelho e à lebre, enquanto noutras os animais foram simplesmente dizimados pela doença, de acordo com o responsável. A FNCP lamentou desconhecer qualquer averiguação do Laboratório Nacional de Veterinária.

Contactado pelo CM, o LNIV não emitiu resposta em tempo útil, mas já havia declarado à Lusa que não está a investigar o caso, nem sequer tem prevista qualquer acção nesse sentido.

A Direcção-Geral de Saúde, por seu turno, fez saber que não se irá pronunciar sobre o assunto, enquanto não houver nenhuma pessoa afectada pela doença. Por seu turno, o presidente da Federação Nacional de Caça, Jacinto Amaro, considerou “uma patetice” a atitude da FNCP e negou que houvesse qualquer doença grave a afectar os coelhos.

MICRÓBIO LETAL ATÉ PODE SER USADO COMO ARMA

A tularemia é uma doença bacteriana rara que afecta tanto animais como seres humanos. A bactéria Francisella tularensis pode ser transmitida para as pessoas de várias formas – através da picada de carraças infectadas ou da manipulação ou ingestão de um animal infectado.

Os animais com maior probabilidade de serem infectados são os coelhos, lebres, esquilos e outros roedores. Os sintomas variam com a forma de transmissão e os mais comuns são úlceras, indisposição repentina, febre, calafrios, dor de cabeça e cansaço. A tularemia pode ser diagnosticada pelo médico após um exame de sangue e o tratamento é feito com antibióticos.

A bactéria figura na lista de agentes biológicos que podem ser usados em ataques terroristas. De acordo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a dispersão no ar de 50 quilos de F. tularensis numa cidade com cinco milhões de habitantes mataria 19 mil pessoas e deixaria 250 mil incapacitadas. No início do ano, os cientistas anunciaram a conclusão da sequenciação do DNA da bactéria.


Autor: Rodrigo de Matos   Fonte: CM - Online
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2005-08-07      À espera de palha
      
Os agricultores portugueses afectados pela seca aguardam há um mês uma resposta do Ministério da Agricultura quanto a um pedido de ajuda ao financiamento do transporte para Portugal de quase cinco mil toneladas de palha e feno disponibilizados de forma solidária pela França.
“O carregamento de quatro a cinco mil toneladas de palha e feno foi disponibilizado por França a preço solidário, mas os custos com o transporte para Portugal tornam os preços muito elevados”, explicou Joaquim Manuel, dirigente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) no Alentejo

Perante a falta de uma resposta do Ministério, a CNA decidiu realizar um plenário de agricultores marcado para hoje, à porta da Direcção Regional de Agricultura do Alentejo, em Évora.

Nesta reunião, os agricultores alentejanos vão discutir a falta de água, a alimentação animal e ajudas institucionais precisas.

Perante a situação de seca que o país atravessa, a Comissão Europeia aceitou, há largas semanas, subsidiar o transporte de cereais de intervenção húngaros para a alimentação de gado em Portugal. São 200 mil toneladas de milho, trigo e cevada que têm de ser escoados para território até ao final do ano.

O ministro da Agricultura, Jaime Silva, já anunciou que iam ser abertos concursos para que os agricultores afectados pela seca pudessem receber estes cereais já a partir do final deste mês.


Autor: Sandra Rodrigues dos Santos   Fonte: CM - Online
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2005-07-28      Seca: Comissão Europeia poderá autorizar ajudas nacionais a agricultores
      
A Comissão Europeia poderá autorizar países vítimas de seca, entre os quais Portugal e Espanha, a concederem ajudas nacionais a agricultores afectados por "condições extremas", anunciou hoje um porta-voz comunitário.

Em conferência de imprensa, Michael Mann afirmou que as normas europeias prevêem que, em caso de "condições climáticas extremas", os Estados-membros possam conceder ajudas estatais aos agricultores afectados, na condição de estas serem aprovadas pelo executivo comunitário.

Michael Mann acrescentou, segundo a Lusa, que os países poderão utilizar as verbas destinadas aos programas de desenvolvimento rural - co-financiados pela União Europeia (UE) e pelos Estados-membros - para combater os efeitos da seca, desde que o façam com o aval da Comissão Europeia.

Entre as medidas aprovadas pela UE para combater as consequências da seca prolongada que afecta vários países do Sul da Europa, encontra-se a decisão de entregar a Portugal e Espanha cereais provenientes de países com produção excedentária, como a Hungria, a Eslováquia e a Alemanha.

Na semana passada, o ministro da Agricultura, Jaime Silva, anunciou o envio para Portugal de 400 mil toneladas de cereais provenientes da Hungria.

O mesmo porta-voz comunitário disse também que os pagamentos das ajudas a regiões afectadas pela seca serão antecipados.

Michael Mann declarou ainda que, em Portugal e Espanha, as áreas agrícolas não utilizadas para produção poderão servir como terrenos de pastagem.


Autor:    Fonte: Publico.pt
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2005-07-21      Situação de catástrofe no sector dos cereais
      
A campanha de cereais em curso poderá ser a pior das últimas décadas. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), ontem divulgados, a produtividade de muitas das principais culturas poderá ficar significativamente abaixo dos 50 por cento face aos registos de 2004.

O caso mais grave será o do trigo duro, que não deverá ir além dos 360 quilos por hectare, cerca de 30 por cento da produtividade alcançada no ano passado.

Nas previsões agrícolas assentes nos dados de 30 de Junho, o INE escreve que os cereais de pragana atingiram a maturação e que já estão a decorrer as respectivas ceifas. "As debulhas já efectuadas apontam para quebras significativas da produção, corroborando as previsões anteriores que colocam esta campanha como a pior das últimas décadas". Portugal terá, por isso, que recorrer a mais importações.

As quebras de produção nos cereais são um fenómeno comum a diversas culturas, embora com graduações diferentes. Para além do trigo duro, são assinaláveis as quebras também para 30 por cento das produtividades no triticale e para 35 por cento no trigo mole, na aveia e na cevada. Reduções menos graves acontecem no centeio (para 70 por cento do produzido em 2004) e no milho de sequeiro (para 85 por cento). O arroz deverá manter a produtividade do ano passado, na ordem dos 5761 quilos por hectare.

O INE atribui este quadro ao facto de os últimos meses terem registado situações climatéricas nada favoráveis ao desenvolvimento destas espécies vegetais. "O mês de Junho foi, de um modo geral, quente e seco, com temperaturas médias do ar por vezes bastante acima dos valores normais para a época e escassa precipitação. Este quadro meteorológico, embora pontualmente positivo para agricultura (permitiu a conclusão das sementeiras de Primavera, o desenvolvimento dos frutos das culturas permanentes e a secagem dos últimos fenos), agravou a situação de seca com diminuição dos níveis de humidade no solo e das disponibilidades de água para rega", refere o instituto.

Situação menos preocupante verifica-se nos frutos frescos, onde as produtividades estão ao nível do verificado no ano passado e um pouco acima da média dos últimos cinco anos. A excepção á regra é a pêra, cuja produtividade média deverá baixar para 11.240 quilos por hectare, cerca de 80 por cento do registado no ano passado. A pêra (especialmente da variedade pêra-rocha) é dos principais produtos de exportação entre os frutos frescos portugueses.

O instituto nota como preocupação especial, no quadro da agricultura nacional e face a um quadro climatérico anormalmente quente e seco, a situação na pecuária. "No que diz respeito à alimentação animal, a situação é de carência generalizada e grande preocupação quanto ao futuro, uma vez que os stocks forrageiros são insuficientes para assegurar as necessidades do efectivo pecuário", sustenta o instituto.


Autor: José Manuel Rocha   Fonte: Publico.pt
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